A indústria brasileira começou 2014 com ritmo novo, mas o desempenho não anula as perdas acumuladas no fim de 2013, avaliou o gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo. Em novembro e dezembro, a produção acumulou perda de -4,3%; em janeiro, a alta alcançou 2,9%. Com esse resultado, a média móvel trimestral amenizou a perda: evoluiu de -1,2% para -0,5%.
“É claro que você tem um início de ano com uma melhora de ritmo da produção industrial, que está num patamar melhor. Foi um crescimento importante, numa magnitude elevada, mas não recupera o saldo perdido no fim do ano. E é importante observar que foi um crescimento disseminado”, explica André Macedo.
Apesar do crescimento, a produção industrial também continua 4% abaixo do pico registrado em maio de 2011. Para André, a indústria ainda tem pela frente parte dos mesmos desafios que marcaram o ano de 2013: “A demanda das famílias vem tendo uma evolução em ritmo menor, seja porque os níveis de inadimplência estão em patamares altos, [seja pelo] pelo comprometimento da renda das famílias, [que redundam em] crédito mais restritivo e ganho de renda mais lento”.
Questão nova a ser contornada é a crise na Argentina, que pode afetar exportações, na visão de Macedo. Ponto positivo, porém, é a redução dos estoques, que – embora continuem “em patamares mais elevados do que o desejável” – já são menores que no ano passado.
Em termos de desempenho, os bens de capital continuam a apresentar ritmo melhor que o restante da economia, com 13 meses seguidos de alta em relação ao mesmo mês do anterior. Em doze meses, a categoria acumula crescimento de 12,1%, enquanto a indústria geral cresceu 0,5%.
Vinicius Lisbôa – Repórter da Agência Brasil
Edição: José Romildo